Daniel Bessa, antigo Ministro da Economia do Governo Guterres,
disse num programa da Renascença, preto no branco, que Portugal só fará
reformas capazes no próximo resgate. Isto é, o próximo resgate é dado por Bessa como
facto consumado, ou a consumar.
É provável que o governo que aí vem seja socialista, ou
maioritariamente socialista. Bessa integrou um governo socialista e portanto sabe do que fala.
Não sou economista, mas conheço os ciclos políticos da Europa nos últimos decénios e a experiência mostra que a cada
período de recuperação das finanças conseguido com medidas restritivas da
despesa por governos "reaccionários", se segue classicamente um
período de "mãos largas" socialistas na distribuição de benesses populares, bem-vindas e aclamadas.
O problema é que não há mal que sempre dure, mas também
não há bem que não acabe e, neste caso, acaba mal—a Grécia e Portugal aí estão
para o demonstrar. Sendo assim, Costa será o terceiro líder socialista a chamar
as "instituições", para usar a nomenclatura exigida pelos gregos,
sendo que um deles, chamado Mário Soares, recidivou. Ou seja, perfila-se no
horizonte o quarto desastre.
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