domingo, 8 de março de 2015

TUDO É RELATIVO

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Varoufakis, ministro grego sem pasta, perdão, sem gravata, escreveu a Bruxelas uma carta de conteúdo denso, cheia de ideias. Segundo os jornais, ali se diz que "a cultura de fuga aos impostos está presente na sociedade grega", o que não acredito, pois grego não é pessoa para enganar seja quem for. Nas vezes que lá estive—felizmente poucas—nunca fui enganado. Jamé! Mas, ainda assim, Varoufakis vai reforçar a vigilância, não vá haver alguma fuga, pequena que seja.
Para o efeito, Fakis incumbirá "estudantes, donas de casa e turistas munidos de equipamentos áudio e vídeo, para identificar possíveis infractores". A notíca é omissa sobre quem fiscalizará os estudantes, as donas de casa e os turistas, mas é de prever que esse aspecto será acautelado. E os fiscais dos fiscais serão, com certeza, também eles fiscalizados, coisa que no conjunto contribuirá para o pleno emprego na Helénica República.
No momento, não se conhece a posição do partido indígena gémeo do Syriza sobre o modus faciendi grego mas, muito provavelmente, será de aclamação. Isto sem prejuízo de que uma medida assim tomada em Portugal configuraria procedimento "fassista", reaccionário, pidesco e salazarento. Mas, desde Albert Einstein, se sabe que nesta vida tudo é relativo—o tempo, a distância, a velocidade, o facciosismo, os procedimentos políticos e a estupidez. Dessa forma, ficamos tranquilos e na Paz de Jah.
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