segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MALTHUS ELEVADO A ENE

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Falava ontem da morte, da sua necessidade biológica e da existência de mecanismos genéticos de controlo do fenómeno da senescência e da própria morte. Mas o sonho do homem sempre foi erradicar a doença e prolongar a existência, idealmente até ao infinito, fenómeno contra naturam.
No último século, o sonho começou a perfilar-se no horizonte. Com a descoberta da estrutura dos genes e dos mecanismos que controlam o envelhecimento e a duração da vida, através da engenharia genética tenta-se anular esses mecanismos e atrasar, quando não parar, o relógio orgânico. É bem possível que o primeiro ser humano que viverá até aos 150 anos já tenha nascido. E, com o controlo da doença, porque não 200, 300, ou 500?
A perspectiva tem implicações biológicas, éticas, sociológicas e teológicas, para referir só estas. O objectivo é aparentemente louvável, a consequência prevê-se catastrófica. É a ameaça de Malthus elevada à enésima potência. Como gerir o superpovoamento da Terra e como organizar a sociedade com uma população activa até muito mais tarde? E com que autoridade moral nos opomos à possibilidade de aumentar a longevidade e prevenir a doença?
São hipóteses sem base real? Serão?
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