sábado, 28 de dezembro de 2013

À LUZ DA CANDEIA

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As quatro necessidades básicas do homem são a alimentação, o vestuário, o combustível e o abrigo. A afirmação é discutível, mas não é agora momento de discutir isso. Outras há que se colocam entre o básico e o luxo, como a iluminação. E é sobre esta que queria referir alguns números interessantes relativos ao custo.
Quando se comparam preços ao longo da História, a melhor maneira de o fazer é exprimir o custo em tempo de trabalho. Relativamente à iluminação, em 1750 antes de Cristo (lamparinas a óleo de sésamo), uma hora de trabalho (salário médio) pagava 24 lúmenes; em 1800 (velas de sebo), pagava 186 lúmenes; em 1880 (candeeiro de petróleo), 4.400 lúmenes; em 1950 (lâmpada incandescente), 531.000 lúmenes; e actualmente (lâmpada fluorescente compacta), 8,4 milhões de lúmenes.
Ou seja, uma hora de trabalho paga hoje 300 dias de luz de leitura, enquanto em 1800 pagava só 10 minutos.
Uma lâmpada fluorescente compacta actual de 18 watts permite ler durante uma hora com meio segundo do tempo de trabalho (salário médio, repito; não estou a falar de António Mexia, que nem deve pagar a electricidade que consome). Em 1950, com lâmpadas incandescentes e o salário da altura, teria de trabalhar  8 segundos. Em 1880, com o petróleo, 15 minutos. Com a vela de sebo, em 1800, seriam mais de 6 horas. E com a lamparina de óleo de sésamo, em 1750 AC, na Babilónia, eram precisas 50 horas de trabalho para uma hora de leitura.
Naturalmente, a fonte destes dados não é portuguesa pelo que carecem de ajustamento. Mas isso tem pouco interesse porque haverá proporcionalidade—se não considerarmos, claro está, os roubos praticados em rendas na factura da electricidade, neste recanto onde Febo repousa no oceano. 
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