terça-feira, 22 de abril de 2014

A FACE OCULTA DA LUA

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Cerca de um terço dos vertebrados e 60% dos invertebrados estão activos durante a noite. Para eles, a Lua-Cheia é a principal e mais importante fonte luminosa  durante essas horas. Tal traduz-se habitualmente no aumento da prática predatória, mas há espécies que preferem ambientes de menos luz para caçar, como os insectívoros e, especialmente, os carnívoros. Os leões, por exemplo, atacam menos o homem nas noites de Lua-Cheia e fazem-no sobretudo nos primeiros 10 dias a seguir, no Quanto-Minguante—é um facto estudado e comprovado. E os morcegos—como é do conhecimento geral—abstêm-se de sair nas noites com luar claro.
O homem, actualmente, com a iluminação pública, quase não vê a Lua e por vezes até tem surpresa quando a avista atrás de um telhado, uma árvore, ou um monte. Nem sempre foi assim—tempos houve em que as deslocações nocturnas, ou o trabalho no campo à noite, eram planeados em função das fases da Lua. Em termos práticos, o nosso satélite serve hoje para fazer literatura pífia e condicionar as marés.
Há quem não pense assim. Plínio, o Velho,  dizia no AD 23, que a força lunar, chamada agora gravitacional, puxava os fluídos do corpo para o líquido do cérebro e que a Lua-Cheia podia causar tudo, desde epilepsia ao aluamento. As teorias de Plínio caíram em descrédito mas, como acho já ter referido neste espaço brilhante, cronobiologistas suíços verificaram que pessoas isoladas da luz natural durante dias, mesmo sem conhecer a fase da Lua em curso, levam mais tempo a adormecer, dormem menos horas e têm menos sinais de repouso, avaliados por electro-encefalografia, durante determinadas fases da Lua.
E embora isso não esteja provado, parteiras e obstetras afirmam frequentemente assistir a mais partos nos dias próximos da Lua-Cheia, do que nas outras fases. E também, em alguns serviços de urgência médica, há cidades em que o pessoal de serviço se prepara para noites mais agitadas.
Parece que o relógio circalunar deve estar certo com o relógio circadiano dos animais para estes sobreviverem. Em resumo, óh Lua que vais tão alta, redonda como um tamanco...
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