sábado, 19 de abril de 2014

JORGE JESUS E A TEORIA DA EVOLUÇÃO

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O mundo vivo avança e talvez melhore,—de acordo com o darwinismo—em consequência de dois processos: a mutação genética que cria seres com propriedades novas a partir dos velhos, e a selecção, ao eliminar—desses—os menos aptos e preservar os mais capazes. É simples e fácil. A luta pela sobrevivência é uma componente essencial e individual: os menos dotados vão sendo eliminados, um a um, pelo meio antes de se reproduzirem, até à extinção total da classe, espécie, grupo, ou o que quisermos ou devemos chamar-lhe—não interessa isso.
Contudo, há um terceiro aspecto, que não sei se Darwin contemplou, previu, ou suspeitou, e também faz parte deste filme: a colaboração. Hoje, quando nos levantamos e antes de ir trabalhar, comemos o pequeno almoço, fazemos a barba—incluindo as mulheres que a têm—vestimo-nos, tomamos um transporte e por aí fora. O leite foi produzido pelas vacas do senhor X de Vale de Cambra, que sobrevive tratando delas, o café foi cultivado na Colômbia pelo senhor Y, que sobrevive blá, blá, blá, o açúcar foi feito em Cuba pelo senhor Castro, as lâminas de barba pelo senhor Gillette, e por aí fora. Não fora o senhor X, o senhor Y, o senhor Castro, o senhor Gillette e rebabá, e se não comprássemos as coisas deles, era muito complicado para eles e para nós—suspeito que Darwin não pensou nisto porque estava absorvido com minhocas, mamutes e cágados. Mas a inteligência e a competência colectiva são fundamentais para a sobrevivência do macaco nu e não só: também da formiga, da abelha, do elefante e de um ror de outros animais, incluindo políticos e a família de Kim Jong-un.
Pertanto, como diria Jorge Jesus, as coisas são ainda mais complicadas do que falava Darwin. Se pensas que é só ter bons jigadores para ganhar, continuando a citar, estás enganado. É preciso treinares e saberes pôr o Cardoso na baliza e o Artur a ponta-de-lança, se fora caso disso. Caso contrário, não cheguemos a campeões
Darwin, infelizmente, não teve o privilégio de conhecer Jesus—o Jorge, naturalmente—e deixou algumas lacunas na Teoria da Evolução. Aliás, diz-se que era do Sporting e está tudo explicado—só pensava em lagartos. Um nabo!
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