quinta-feira, 24 de abril de 2014

RECORDAR MUAHAMMAD ALI

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There are more pleasant things to do than beat up people.
Muhammad Ali



Em Braga morreram três jovens, alunos da Universidade do Minho, e quatro ficaram feridos quando ruiu um muro onde subiam, ou tinham subido. Dizem os jornais que se tratava de tradição da praxe académica chamada guerra de cursos, ou luta de cursos, ou uma burrice do género. A Universidade do Minho tem menos de 40 anos em actividade e não tem idade para ter tradições, menos ainda tradições asininas.
A praxe das várias universidades—que se vai revelando trágica—é uma forma de promoção de alguns idiotas que macaqueiam práticas provincianas, anacrónicas e alarves de Coimbra, onde segundo penso, estão em declínio. Hoje, o "Cabido dos Cardeais" pela praxe de Braga, "decretou" luto académico na Universidade. E um par de estalos na cara? Também era boa ideia.
Ao ler a notícia, lembrei-me de uma cena passada comigo. Estava incorporado no Exército como oficial médico e prestava serviço no Regimento do Serviço de Saúde  em Coimbra, enquanto aguardava nomeação para a chamada guerra colonial—felizmente fui parar a Timor e não tive guerra nenhuma, além do tempo perdido. Uma noite, saía eu do cinema que havia na Avenida e fui abordado por um puto encadernado de preto, como as almas vagueando pelo mundo para perder as almas, que me perguntou com ar sério e solene o que era eu pela "praxe". Disse-lhe: Óh júnior, explica para mim o que é essa coisa da "praxe". Percebendo o ridículo da situação, sumiu-se mais depressa do que se apaga um fósforo em dia de ventania—volatilizou.
Faço a justiça a Coimbra de acreditar que tais coisas já não acontecem na cidade. Chegámos ao Século XXI, o conhecimento humano progrediu, também com a colaboração da Universidade de Coimbra, e os corvos embrulhados em ridículos trajes ditos académicos"caspa e brilhantina"que Pacheco Pereira diz serem de padre, já não devem pairar na porta dos cinemas a importunar gente que tem mais que fazer que aturá-los.
Mas isso é o menos. O problema mesmo é que a idiotice vai tendo consequências trágicas e irreparáveis.
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