sexta-feira, 18 de abril de 2014

NA SOMA É QUE ESTÁ O GANHO

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Num jogo de soma zero, o que um contendor ganha perde o outro. O Benfica ganhou dois golos ao Porto, este perdeu dois golos para o Benfica. A soma de ganhos e perdas é nula. É justo, mas não é o melhor. Por vezes, todos perdem no jogo, em termos absolutos—por exemplo, numa hipotética guerra nuclear entre grandes potências o jogo é de soma negativa. Mas o inverso também pode acontecer, ou seja, jogo de soma positiva, em que todos ganham. O quê? Ganhar o Benfica e o Porto? Como é isso? É simples, mas não se aplica ao futebol—eu troco contigo o serviço de te limpar a casa com um salário justo: a casa fica limpa sem te maçares  e eu tenho dinheiro para comprar comida, roupa, medicamentos e rebabá.
Socialmente, o jogo de soma positiva está na base do progresso, embora com muitas incompreensões. Por exemplo, em relação a algumas minorias étnicas. Judeus, chineses, indianos e negros são considerados  geralmente parasitas que vivem à custa da comunidade sem que se avalie a contribuição paga por eles. Neste caso, se o resultado da soma do jogo fosse negativa, a existência de tais comunidades  seria banida naturalmente, o que não acontece—nem Hitler, com toda a sua alarvice, conseguiu.
Deste ponto de vista, e de uma maneira geral, todas as guerras são burrice. O melhor que produzem é vitórias de Pirro. Armas caladas e conversas faladas resultam em melhores frutos—muito melhores mesmo, se o macaco nu se comportar como o Homo sapiens que diz ser.
Aliás, ainda o macaco nu estava no cu dos franceses e já a natureza jogava os jogos de soma positiva. Toda a evolução biológica, para citar apenas um aspecto da evolução do universo, foi condicionada pela opção dos jogos de soma positiva: na emergência da célula com núcleo, dos genes, da reprodução sexuada e um ror de coisas mais, em que a vida se organizou para tirar vantagem do trabalho associativo, com vantagem colectica.
Assim, tudo que saia fora dos jogos de soma positiva, seja na política, na economia, nas finanças, na religião, nas relações internacionais, rebabá, é asinino. Sei que é da natureza do homem ser asinino—nasceu quase tão asno como o asno propriamente dito, mas ainda está a tempo de se emendar! Olhando para Putin, não parece; mas está.
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