terça-feira, 19 de maio de 2015

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O inefável, incontornável, indispensável, impensável, inimitável, insuperável e outros adjectivos terminados em xexé Dr. Soares, volta hoje, na sua crónica no DN com o professor Stephen Emmott e o pasquim "Ten Billion" que leu na tradução portuguesa no ano passado. O folheto tem mais ou menos a dimensão do "Borda d'Água" e daí eu acreditar que o Dr. Soares o tenha lido quase todo, embora com alguns períodos de sono REM pelo meio. O Dr. Soares intitula-se um bibliófilo, como sabem, e só tem uma lacuna na sua cultura, qual é a de nunca ter ido à Biblioteca de Alexandria porque foi convidado para uns cruzeiros no Nilo e não teve tempo de lá ir. Tirando isso, leu tudo de fio a pavio.
Pois o Dr. Soares—preocupado com as alterações climáticas desde então, mais do que com o professor Cavaco que não cumpre nem faz cumprir a Constituição—diz hoje na sua crónica do DN que o mundo vai mal e o planeta Terra também. O Dr. Soares tem informação extraterrestre e sabe como vão as coisas em Saturno, Urano e Plutão e parece que também ali, os usurários internacionais andam a esburacar os planetas e, portanto, o mal é geral, incluindo o espaço interestelar. No que ao nosso planeta diz respeito, pensa que "o sistema climático está a variar de tal modo que o nosso planeta poderá não subsistir". Eu tenho a certeza que não subsiste: daqui a cinco mil milhões de anos acaba.
Mas voltando ao professor Emmott—um génio—e ao seu livro—uma Bíblia—quero mostrar como o senhor é considerado e como excelente é a sua obra. Na critica do jornal "The Guardian",de 9 de Julho de 2013, Chris Goodall escreve assim sobre o pasquim:

"É pouco mais que uma apresentação do PowerPoint transformada num fino paperback. Embora toda a tentativa de alertar a humanidade para as alterações climáticas seja bem-vinda, o livro de Emmott é uma divulgação de erros, cheia de exageros descuidados e fraco no que respeita a ciência básica. O facto de se basear em dados avulsos tirados ao acaso da Internet é chocante e prejudicial para a causa da protecção do ambiente. Como era de esperar, os melhores bloggers cépticos estão já a desmontar os seus excessos linha por linha".

O Dr. Soares nunca foi melhor que agora: superficialão, preguiçoso intelectual, instrumentista de bombo que não sabe ler música, egocêntrico e muito, mesmo muito, vaidoso, a quem "basta subir ao andor para ser aclamado". Fizeram dele o que pensa que é, mas não é.
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