sexta-feira, 22 de maio de 2015

O QUE DIZ NÓVOA

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[...] O discurso não tem princípio, meio e fim. Não passa de uma lista arbitrária de evocações, exortações, visões, desejos, intenções, desabafos, promessas, divagações. Os poetas estão lá para introduzir a tonalidade lírica e onírica que convoca os ouvintes para sonhar. Sonhar com “um caminho de mudança e de esperança” que não sabem qual é, onde está e para onde leva. Sonhar com “fazer a diferença” que não sabem em que consiste nem no que resulta. Sonhar com “uma outra visão, uma outra ideia do que pode ser Portugal”, não lhes sendo dito quais sejam nem com que se parecem. E por aí fora, uma longa, longa série de lugares-comuns e puras abstracções servidas numa pseudopoesia barata e possidónia. Nóvoa revolta-se contra “uma austeridade” que fragilizou e empobreceu Portugal e indigna-se com uma “política” incapaz de apresentar “uma única ideia de futuro”. Lê-se e pasma-se: ele próprio não apresenta nem a sombra de metade duma. Um voto em Nóvoa é um cheque em branco. [...]

[...] Porém, mais grave do que a hipocrisia, é a incógnita política que Nóvoa representa. Sabemos que execra a austeridade, mas deixa-nos no absoluto desconhecimento da alternativa que teria a oferecer—pelo motivo de que nem ele sabe. É facto que jura renegociar a dívida “até ao limite do possível”, mas ignora por onde passam o limite e o possível. Reconhece que somos prisioneiros dos compromissos assumidos com a Europa e que “honradamente temos de os cumprir”. Mas já nada nos obriga a cumpri-los “de forma ordeira”. Iremos todos em voos fretados berrar para Bruxelas? A Europa, paradoxalmente e infelizmente, “transformou-nos a todos em eurocépticos”. Há lá muito que mudar, “e seriamente”. E Nóvoa é o homem providencial para abraçar esse combate e demonstrar ao mundo “que as políticas de austeridade [não] são uma inevitabilidade”. Como a Grécia tem constatado, os credores europeus são fáceis de converter e comover. [...]

O que se lê em cima são dois excertos dum artigo de M. Fátima Bonifácio, publicado no "Público", sobre Sampaio da Nóvoa. Além do transcrito, diz mais M. Fátima Bonifácio, mas o referido basta.
A conversa de Nóvoa, como todos já perceberam, é caricaticamente vazia—difícil, mas mais ridícula que a de Baptista Bastos. A Nóvoa só falta o prontuário das palavras raras que Bastos comprou num caga-sebo do Bairro Alto para encher os textos de palavrório rebuscado e encantar leitores parolos e desprevenidos.
Voltando ao título do post, Nóvoa não diz nada; talvez o melhor para ele. Em boa verdade, Nóvoa tem um programa claro, simples e linear. O ex-reitor da Universidade de Lisboa (já tem direito a ser um ex-qualquer-coisa) não quer o seu País "à beira de um rio triste". Isso lhe chega. 
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