sexta-feira, 29 de maio de 2015

LEVAR BANANAS PARA A MADEIRA

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Sabia que há neste momento investigadores a mandar gelo dos Alpes, do Himalaia e de outros locais mais ou menos fresquinhos para a Antárctica? É verdade! À primeira vista, parece estúpido—é como levar bananas para a Madeira, dir-se-á. Contudo, não está mal pensada a coisa.
O gelo dos glaciares formou-se há muitos anos—milhares. Quanto mais profundo, mais antigo, naturalmente, porque os glaciares crescem—ou cresceram—de baixo para cima e não ao contrário. Com perfuradores cilíndricos e ocos, consegue-se extrair "chouriços" de gelo com 10 cm de diâmetro a 130 metros de profundidade. E daí?—perguntar-se-á com razão.
Daí que o gelo é um depósito extraordinário de fósseis (de seres vivos, naturalmente) e informação sobre a composição do ar e compostos e corpos nele presentes quando da formação do dito gelo. Há lá pólenes e outros vestígios de vida, oxigénio, dióxido e monóxido de carbono, azoto e muitas outras coisas impensáveis, ou que eu não penso agora porque não sei. O facto é que os investigadores conseguem reconstituir cenários do clima, da fauna, da flora, das características do ar, rebabá, do tempo do rascunho da Bíblia e de muito antes, estão a ver?
Acontece que vivemos numa fase em que a temperatura do planeta está a aumentar—cuja causa não cabe agora discutir—e o degelo daí resultante vai, literalmente, derretendo informação. Por isso, os investigadores das mais variadas áreas, desde climatologistas a biologistas, arqueologistas, palentologistas e outras artes terminadas em logistas, procuram salvar gelo de glaciares em risco levando-o para a Antárctica, o melhor congelador do planeta, armazenando-o a 10 metros de profundidade num depósito com 50 graus negativos. Bem pensado, sim senhor. De vez em quando, podem lá ir, tirar uma catota de gelo correspondente a determinada profundidade e saber o que se passava no Himalaia, no Monte Branco, nos Andes, talvez em Alvalade quando o Sporting foi campeão a última vez, e por aí fora.
Pode ler o que acabo de narrar—naturalmente com menos brilho, como era de esperar—num belo artigo do site da BBC, aqui. As imagens são ilegalmente tiradas de lá. Não diga nada à BBC.
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