sexta-feira, 29 de maio de 2015

NOVES FORA, NADA

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A palavra nada existe—em português e em muitas outras línguas: nothing, niente, néant, nadie e por aí fora. O que significa nada? Aqui, a porca torce o rabo. É nada a ausência de tudo? Não é, porque ausência é qualquer coisa e o nada não contempla sequer o conceito de ausência. É nada o zero? Também não porque zero é uma ideia matemática que existe e, por isso, não pode ser nada. Rebabá...
Então, existe a palavra nada, mas ela não exprime ideia, crença, fé, ou conceito. Até o ser do Sporting não é nada, embora ande lá perto. Nem sequer se pode dizer que nada significa nada, porque seria pleonástico, nem que não significa nada, o que era contradição. Conclui-se que o homem criou uma palavra sem significado, totalmente inútil, mas que continua a usar alegre, calma e frequentemente.
Na realidade, o nada da linguagem coloquial não é verdadeiramente nada—é apenas nada, pouco mais ou menos. Dizemos "não percebo nada disso", o que é impossível porque se percebemos que não percebemos, já percebemos alguma coisa e alguma coisa não é nada. Neste exemplo o nada significa perceber muito pouco, mas não nada. E a expressão quase nada é outro aborto—como se pode estar perto duma coisa que não serve de bitola porque não existe?
Está a perceber o que quero dizer? Não está?!!!.... Eu também não. Mas penso muito nisto nas noites de insónia.
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