quarta-feira, 20 de maio de 2015

ELES HÁ-DEM PAGAR

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O PS lavrou um projecto de programa eleitoral que vai ser discutido pela comissão política, mais tarde pela comissão nacional e a seguir pelo povão, podendo este enviar contributos para o site do gabinete de estudos até Junho.
No referido projecto, fala-se em médicos de família para 545 mil portugueses em quatro anos. Nesta matéria, e uma vez que o PS também pede o meu parecer na qualidade de povão, digo que acho bem e acho mal. Bem porque sempre são mais de meio milhão de lusitanos (1/20 dos parolandeses) com médico de família, o que representa progresso. Mal porque deviam ser mais: já que estamos com a mão na massa, porque não médicos de família para mais um milhão? No fundo, é só querer, ter vontade e saber multiplicar em conformidade com a tabuada. Depois, mal também porque, sendo Portugal um País solidário, de acolhimento de farta imigração, o PS esqueceu-se dela—fala em 525 mil portugueses (gostava de saber onde foram buscar tão esdrúxulo número) e não fala em milhares de imigrantes, do Brasil a Timor, de S.Tomé à Ucrânia, de Angola à China, de Moçambique ao Nepal, do Botswana à Letónia. O PS, alegada vanguarda da solidariedade, cai numa ratoeira xenófoba, verdadeiro acto falhado—a Psiquiatria explica isso.
Ninguém na administração do PS—ou como se chama quem manda no partido, se é que alguém lá manda—me vai dizer que isso custa dinheiro. NÃO ! ! !. . . NÃO PODE ! ! ! . . .
Dinheiro é miserabilismo salazarento, é vista curta, é reacção, é conversa de capitalismo usurário. Façam-se as coisas como devem ser feitas e promova-se a justiça e o Estado social que alguém há-de pagar. Os que vierem a seguir há-dem pagar, dirá o Coelho. Ai há-dem, há-dem!
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