Os oráculos distinguiam-se pela nebulosidade das
respostas, tão nebulosas que as mensagens quase cifradas careciam de explicação, o que permitia muitas interpretações, para não dizer todas. É o
método próprio de quem insinua transmitir uma ideia sem ter ideia nenhuma, de
quem se pronuncia por obrigação mas a contragosto, e também dos trapalhões
vendedores de jogo branco.
Não sei em que grupo se inclui o nosso Presidente, mas
posso dizer que fala como um oráculo. Leia-se o seguinte trecho e diga-se o que
quer dizer:
Um
Presidente da República deve ter alguma experiência no domínio da política
externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar
os dossiês relevantes para o país, permanecendo numa adequada coordenação e
concertação com o Governo.
Estão
de acordo? Naturalmente que sim. A isto podíamos acrescentar que deve lavar os
dentes com regularidade para prevenir o mau hálito, aparar o cabelo para não
ensebar o colarinho da camisa e cortar as unhas esporadicamente.
O
patético é que, pelo menos que eu tenha conhecimento, já dois vultos vieram a
público dizer que preenchem tais requisitos, excluindo os preceitos higiénicos,
que são da minha lavra. Foram eles o Professor Martelo e Santana Lopes. Não é
uma ternura?
O
que significa isto? Significa que é gente que não aspira a ser Presidente
porque suspira por o ser. E aqui queria chegar para perguntar o que os faz correr.
É
a glória de mandar, a vã cobiça desta vaidade a que chamamos fama? Custa a
acreditar que seja porque, na realidade não irão mandar nada e, quanto a fama,
temos conversado. Fica-lhes só a vã cobiça da vaidade de ser Presidente da Lusitânia
Pátria, circunstância que muito boa gente pagaria para não ser. Para ser franco,
acho tudo isto deplorável manifestação de indigência intelectual.
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