segunda-feira, 9 de março de 2015

Ó VÃ COBIÇA DESTA VAIDADE !

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Os oráculos distinguiam-se pela nebulosidade das respostas, tão nebulosas que as mensagens quase cifradas careciam de explicação, o que permitia muitas interpretações, para não dizer todas. É o método próprio de quem insinua transmitir uma ideia sem ter ideia nenhuma, de quem se pronuncia por obrigação mas a contragosto, e também dos trapalhões vendedores de jogo branco.
Não sei em que grupo se inclui o nosso Presidente, mas posso dizer que fala como um oráculo. Leia-se o seguinte trecho e diga-se o que quer dizer:

Um Presidente da República deve ter alguma experiência no domínio da política externa e uma formação, capacidade e disponibilidade para analisar e acompanhar os dossiês relevantes para o país, permanecendo numa adequada coordenação e concertação com o Governo.

Estão de acordo? Naturalmente que sim. A isto podíamos acrescentar que deve lavar os dentes com regularidade para prevenir o mau hálito, aparar o cabelo para não ensebar o colarinho da camisa e cortar as unhas esporadicamente.
O patético é que, pelo menos que eu tenha conhecimento, já dois vultos vieram a público dizer que preenchem tais requisitos, excluindo os preceitos higiénicos, que são da minha lavra. Foram eles o Professor Martelo e Santana Lopes. Não é uma ternura?
O que significa isto? Significa que é gente que não aspira a ser Presidente porque suspira por o ser. E aqui queria chegar para perguntar o que os faz correr.
É a glória de mandar, a vã cobiça desta vaidade a que chamamos fama? Custa a acreditar que seja porque, na realidade não irão mandar nada e, quanto a fama, temos conversado. Fica-lhes só a vã cobiça da vaidade de ser Presidente da Lusitânia Pátria, circunstância que muito boa gente pagaria para não ser. Para ser franco, acho tudo isto deplorável manifestação de indigência intelectual.
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