quarta-feira, 27 de abril de 2011

ASSIM FALOU ZARATUSTRA

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Zaratustra, nascido na Pérsia em meados do Século VII AC, foi profeta da religião Zoroatrismo, o que significa qualquer coisa como contemplador de astros. Durante dez anos, segundo as narrativas que chegaram até nós, Zaratustra viveu quase sempre isolado, habitando no alto de uma montanha, em cavernas sagradas.
No livro “Assim Falou Zaratustra”, Nietzsche descreve a vida e os ensinamentos do filósofo de forma fictícia e satirizando o Novo Testamento. Começa assim, no prólogo, numa adaptação da tradução para espanhol:
Quando Zaratustra tinha trinta anos, abandonou a pátria e dirigiu-se às montanhas. Ali gozou o espírito e a solidão, e durante dez anos não se cansou de o fazer. Mas, por fim, o seu coração transformou-se – e uma manhã, levantando-se com a aurora, colocou-se diante do Sol e falou:
“Tu, grande astro! Que seria de tua felicidade se não tivesses aqueles a quem iluminas! Durante dez anos subiste até à minha caverna: sem mim, a minha águia e a minha serpente, ter-te-ias fartado da tua luz e deste caminho. Mas nós aguardávamos-te em cada manhã, libertávamos-te da tua super-abundância e bendizíamos-te por isso.
Vê! Estou saciado com a minha sabedoria, como a abelha que recolheu demasiado mel, tenho necessidade de mãos que se estendam. Gostaria de dar e repartir até que os sábios entre os homens voltem a regozijar-se com a sua loucura, e os pobres com a sua riqueza. Para isso, tenho de baixar à profundidade: como tu fazes ao entardecer, quando transpões o mar, levando luz inclusivamente ao submundo, astro imensamente rico!
Tal como tu, tenho de fundir-me no meu ocaso, como dizem os homens a quem quero baixar. Bendiz-me, pois, olho tranquilo, capaz de olhar sem inveja, até a grande felicidade.
Bendiz a taça que quer transbordar para que dela corra a água de ouro, levando a toda a parte o resplendor das tuas delícias!
Olha! Esta taça quer esvaziar-se de novo e Zaratustra quer voltar a fazer-se homem”.
Assim começou o ocaso de Zaratustra.
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Independentemente dos conceitos filosóficos e religiosos do texto de Nietzsche, a prosa é atractiva e envolvente.  Para quem gosta do género, sugiro uma visita à tradução espanhola do livro neste link.
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