terça-feira, 30 de junho de 2015

A BÍBLIA E A HISTÓRIA

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No site "AEON Ideas", encontram-se entre muitas outras, estas perguntas: "É a Bíblia Verdadeira? Interessa isso?" (Pode ler aqui)
Michael Satlow, professor de Estudos Religiosos na Universidade de Brown, escreve um texto interessante, em minha opinião. Diz Satlow que não há nenhum rigor histórico no Antigo Testamento e há fundadas razões para duvidar do que ali se conta. Não existe nenhuma evidência, por exemplo, do Êxodo, da existência do Rei Salomão, da conquista de Jericó e por aí fora. A Bíblia, nesse aspecto, não é um fiel repositório de factos históricos, antes uma colecção de mitos judaicos antigos.
No que respeita ao Novo Testamento, estamos quase na mesma. Embora seja muito provável que tenha existido um homem chamado Jesus, os factos  da Sua vida  não são confirmáveis, apesar dos Evangelhos. Estes contêm narrações contraditórias e, por outro lado, as referências a Jesus fora da Bíblia são suficientemente raras para  permitirem admitir que não teve grande impacto na sociedade do seu tempo.
Portanto, a Bíblia não é historicamente verdadeira, diz Satlow, facto conhecido desde Espinoza. Mas pergunta de seguida: Quem se importa com isso?
Por um lado, ateus e agnósticos acham que a situação é esclarecedora e um bom argumento para refutar tudo em que judeus e cristãos acreditam.  Por outro, judeus e cristãos radicalizados, talvez por sentirem a fé ameaçada, reagem asperamente e defendem à letra narrações bíblicas indefensáveis, como o Génesis, por exemplo.
Na realidade, o grande legado das Escrituras será, não o rigor do texto, mas as ideias que pretende transmitir. As histórias podem ser fracas e a mensagem não. Esse é o ponto de vista de Satlow. Depois vem o direito de emitir juízos de valor sobre a mensagem e a forma como é cultivada no planeta. Já se viu que há ene formas de o fazer, mas isso é outra história.
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