sábado, 27 de junho de 2015

PROSA SEM JEITO

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No "Dicionário de Expressões Correntes" da Editorial Notícias, lê-se que «encanar a perna à rã» é o mesmo que «não fazer nada; atrasar; não resolver; demorar; empatar». Para maior clareza é, por exemplo, ir para uma reunião acordar na solução de um problema existente entre duas partes e apresentar sistematicamente propostas que configuram variantes duma solução inicial já rejeitada, mas agora com nova roupagem, o que permite o lamento de que os esforços feitos para acordo não estão a ser reconhecidos. Neste exemplo, a referida expressão pode ser substituída por outra, também feliz, que é "fazer dos outros parvos".
A coisa, habitualmente,  começa a encanitar os encéfalos dos outros protagonistas, até que chega a hora do encanitador ser encaminhado para a senhora sua mãe. Segue-se depois o coro de lamentos que constam de lista antiga, fruto de longa experiência na arte de bem encanar a perna à rã em toda a situação e inclui acusações variadas, verbi gratia incapacidade contumaz de dialogar, má fé, maldade, prepotência, hábito  de bater na avó e cuspir na sopa e outra taras.
Chegado aqui, perguntar-se-á a que propósito vem a conversa. Para ser franco, nem eu sei. Admito que sejam coisas da idade porque ainda hoje não li nada nos jornais que me sugerisse esta estúpida prosa.
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