sábado, 25 de fevereiro de 2012

HIGGS

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Frequentemente lemos e ouvimos falar sobre a partícula de Higgs, o bosão de Higgs, o campo de Higgs, blá, blá, blá. É minha convicção que muitas pessoas não fazem ideia do que se trata. Não me refiro ao rigoroso conceito matemático e de Física teórica e quântica, mas a uma ideia simples e tosca do que são essas coisas.
Primeiro é preciso dizer o que é a massa dum corpo: massa é a quantidade de matéria que existe nesse corpo. E essa matéria mantém-se agregada por alguma razão. Tanto quanto se conhece a organização e funcionamento das partículas fundamentais que formam a matéria – os átomos, os protões, os quarks, os leptões, e essa trapalhada toda -, elas deviam fugir umas das outras numa corrida desenfreada, à velocidade da luz, não formando coisa nenhuma. Mas mantêm-se ordeiramente agregadas, formando penicos, flores, a Paris Hilton, o Silvio Berlusconi e o eng. Sócrates! Porquê?
É aqui que entra o Prof. Higgs, que vive em Edimburgo com os seus oitenta e tal anos. De acordo com professor, o mundo tem de estar completamente cheio de pequenas partículas, que são as partículas com a mesma graça dele e por causa dele, também chamadas bosões para fazer mais toilette, responsáveis pela resistência que impede as partículas fundamentais de andarem por aí a fugirem umas das outras. Tais partículas formam o chamado campo de Higgs que não é mais do que o espaço onde existem e actuam. Como se pode explicar o modo da sua acção? Não é fácil para um cidadão como eu, mas tentarei.
Imagine-se um homem a caminhar numa praça durante o Verão: pode fazê-lo facilmente. Vejamos agora o que acontece no Inverno se a praça estiver coberta com um metro de neve. Os pés enterram-se na neve e o atrito que produz oferece dificuldades à marcha. Aí está o campo de Higgs. É mais ou menos o que ele faz às partículas fundamentais. No fundo, é um empata!
Só que bosão de Higgs nasceu na cabeça dele e, por enquanto, é apenas uma coisa teórica. Principalmente por causa dele foi construída essa maravilha descomunal do acelerador de partículas de Genebra (CERN) onde protões são acelerados até próximo da velocidade da luz e depois atirados uns contra os outros. Fica tudo escaqueirado e o trabalho dos cientistas consiste em analisar os “cacos”, na esperança de encontrar o bosão no meio daquela trapalhada toda. O problema é que a análise tem de ser dirigida para partículas com massa determinada. Como nem sequer se sabe se o bosão existe, muito menos se sabe que massa tem. Então, a pesquisa é feita por tentativa e erro, escolhendo espectros limitados de massa até acertar. Se alguma vez se acertar!
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