domingo, 26 de fevereiro de 2012

O GRANDE PREDADOR

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Os predadores apareceram na Terra há 500 milhões de anos. Os primeiros, pensa-se, foram organismos marinhos: um tipo qualquer de crustáceo, talvez um camarão gigante ou coisa parecida. Bastante mais tarde vieram os famosos dinossauros e depois os mamíferos com grandes dentes, como o tigre e o lobo. Há cerca de cem ou duzentos mil anos, chegou o mais poderoso de todos: o homem! Não tem grandes dentes, nem garras afiadas, nem mordedura venenosa, mas possui inteligência e o engenho necessário para fabricar ferramentas e armas mortais. E, ao mesmo tempo que se tornou grande caçador, começou a criar animais em grande escala. Dizimou aves, as grandes manadas de bisontes americanos, criou frotas de pesca que apanham mais peixe do que o sustentável, quase fazendo desaparecer espécies como o bacalhau, e matando mais mamíferos na América do Norte que todas as outras causas de morte juntas.
Mas, do ponto de vista biológico, a actividade que alimenta a nossa voracidade é uma excepção na vida animal. A evolução tem dotado as presas tradicionais de meios para se defenderem. Por exemplo, à medida que os predadores carnívoros correm mais, também elas se tornam mais rápidas. Os carnívoros desenvolvem dentes fortes e perfurantes, e os herbívoros aparecem dotados de chifres para se defenderem. Também o aumento do porte impede a eficácia dos felinos – o volume do bisonte torna a sua caça difícil porque a boca do predador não tem dimensão para o seu pescoço. Alguns carnívoros caçam em grupo e os herbívoros defendem-se e passam a viver em manada. Mas, curiosamente, contra o homem não se observa nenhuma evolução clara de modo a tornar as suas vítimas mais seguras. Pelo contrário, em certos casos, como o elefante, as presas defensivas tornam-no mais atraente para o homem que busca o marfim.
Esta falta de adaptação à defesa contra o predador homem/bicho intriga os investigadores. Nem as defesas mais engenhosas, como a produção de substâncias tóxicas, tem eficácia se o homem tem apetência para a espécie. Alguns caranguejos, embora muito saborosos, contêm compostos de paladar repugnante. Mas o homem já percebeu que tais substâncias se acumulam apenas em certos órgãos que remove, permitindo-lhe saborear o banquete.
Em termos de evolução, as presas do homem não têm espaço de manobra. Segundo o Prof. Vermeij, especialista nestas coisas, tal representa um desvio cataclísmico para as espécies vítimas cuja importância só agora começamos a perceber.
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