domingo, 22 de abril de 2012

A NAVALHA DE OCCAM

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Quando um evento causa outro, estamos em presença duma relação causa/efeito. É simples! Será? Filosoficamente, dá pano para mangas.
Se A causa B, A existe antes de B – é evidente! Será? Não sabemos. Anda o tempo para a frente ou para trás? É relativo. Fomos treinados desde cedo a viver com o conceito de que anda para a frente e nem sequer admitimos o contrário. A verdade é que tal noção obedece ao princípio chamado Navalha de Occam, ou principio da parcimónia, uma coisa completamente arbitrária. Dizia Occam, um frade do Século XIV: quando há duas maneiras de explicar os factos, deve optar-se pela mais simples. E a mais simples não é necessariamente a correcta, diz toda a gente. E o tempo não anda necessariamente para o que chamamos frente, digo eu. Logo, a causa pode ocorrer antes do efeito. Alguém entende isso? Não! E porquê? Porque montamos um esquema do mundo que pode não corresponder à realidade. Ninguém conhece a realidade. A nossa realidade é diferente da do peixe que só conhece o mundo através de estímulos eléctricos, ou da dos seres que o fazem através do cheiro e por aí fora (já falámos disso).
Portanto, tudo é relativo. As nossas verdades são válidas dentro do esquema que convencionámos ser a realidade. Já não é mau se for assim. E viva o velho!
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