sexta-feira, 24 de março de 2017

DIJSSELBLOEM, VITAL MOREIRA E O SENHOR MESSIAS

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Vital Moreira, que não faz o meu género e por isso sou insuspeito no que vou dizer, escreve no "SOL" o seguinte: “Quanto ao seu conteúdo, a polémica mensagem de Dijsselbloem não traz nada de novo e é incontroversa”. Até aqui, acho que Vital Moreira está a falar bem.
E acrescenta a seguir: [...] “a devida solidariedade financeira da União Europeia em relação aos Estados-membros em dificuldades orçamentais implica responsabilidade financeira dos beneficiários e não se pode gastar irresponsavelmente à conta do endividamento público e depois ir pedir solidariedade aos contribuintes dos outros países”. Continuo a abanar as orelhas em sinal de aprovação.
E mais à frente: “a metáfora por ele utilizada não podia ser mais despropositada, para além do mau gosto. Estúpida, por isso”. Continuo a abanar as orelhas, embora seja aqui que não concordo totalmente com Moreira.  
A metáfora utilizada por Dijsselbloem — e agora sou eu que digo — pior que estúpida, é ingénua e aí é que está o mal.  Dijsselbloem, se queria falar do que falou, devia chamar os bois pelos nomes e não vir com essa ingenuidade provinciana dos "copos e mulheres de má fama" (a má fama subentendo eu).
Dijsselbloem podia falar nas despesas sumptuárias do Estado Português, por exemplo, nas mordomias dos políticos sem excepção de nenhum partido, mesmo daqueles que passam a vida a apedrejar a maioria dos compatriotas; da realização de obras de fachada como meio de promoção política — veja-se o que se passa nesta época pré-eleitoral por todos os concelhos e freguesias —; da realização de obras para cobrar comissões ou luvas; da concessão de benesses despropositadas a torto e a direito — sobretudo a torto — pelas mesmas razões; da administração ruinosa da Fazenda Pública, com recurso irracional ao crédito, gerando uma dívida que ninguém sabe como será paga; da corrupção que todos os dias faz cabeçalhos nos media, seja de políticos, seja de administradores de empresas públicas e privadas; da pouca vergonha que é o nepotismo diariamente noticiado; e rebabá, rebabá, rebabá — fico por aqui porque não é preciso gastar mais bits.
Dijsselbloem não deve ser mau tipo, mas é um parolo. Oriundo duma família puritana holandesa, é mais provinciano que o Senhor Messias de Quadrazais — mas muito mais!... — rima e é verdade. O Senhor Messias tinha o Sétimo Ano de Praia.
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