terça-feira, 28 de março de 2017

NA PRÁTICA... A TEORIA É OUTRA...

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Poesia ...........e............Prosa
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Mario Cuomo, antigo Governador de Nova-Iorque, terá dito um dia que as campanhas eleitorais se fazem com poesia para depois governar com prosa. Cuomo é citado por Rachel Sylvester num artigo do The Times de hoje a propósito do Brexit, com o título mais ou menos assim: "May Pagará o Preço das Promessas Feitas aos Defensores do Brexit em inglês, como quase tudo, dito de forma muito mais sintética, clara e eficiente (May will pay price for Brexiteers’ promises).
Começa assim:

A Primeira-Ministra está a perceber agora que as negociações com a UE dificilmente satisfarão a linha dura, sua e dos eurocépticos. É difícil imaginar um processo político em que haja maior fosso entre as promessas da campanha pró-referendo e os detalhes da negociação com a Comissão Europeia e 27 estados membros. Em vez do "Retomar do Controlo", os próximos dois anos serão os do "Toma Lá Dá Cá", se houver alguma hipótese de acordo.
Figura sénior do Governo resume assim a situação: "Esta é a semana da retórica encontrar a realidade, em que Theresa May acciona o Artigo 50 do Tratado de Lisboa e começa o processo de partida do Reino Unido da UE. Acabou a guerra das palavras ocas."
Haverá uma guerra com Bruxelas, naturalmente, à medida que a Primeira-Ministra embarca no mais complexo processo diplomático de que há memória. Os ministros comparam o Brexit a um jogo de xadrez tridimensional, jogado com os olhos vendados e em simultâneo com tantos adversários que é impossível reter cada jogada feita em cada tabuleiro.
Rachel Sylvester aborda depois os problemas internos que as negociações vão desencadear, nomeadamente com a Escócia e a Irlanda do Norte, mas refere sobretudo o que pode esperar May dos seus próprios correligionários se as coisas não correrem como estes querem, o que é mais que proválvel. E cita John Major, que já provou desse "chá", quando diz, referindo-se aos Tory bastards: " They may be allies of the prime minister; the risk is that tomorrow they may not.” Falando bem e depressa — e com vossa licença — a porra é essa! (quase tudo que rima é verdade!). Gerard Batten, porta-voz do Ukip, por exemplo, já vai dizendo que a invocação do Artigo 50 foi uma ratoeira porque entrar em negociações vai tirar o Reino Unido da "floresta negra UE" para o "pântano UE".
Não posso transcrever o artigo todo por razões óbvias, mas vale a pena lê-lo aqui. Termina assim: O mais difícil no trabalho da Primeira-Ministra nos próximos dois anos será converter poesia em prosa sem ser acusada de traição.
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Nota: O artigo tem, no momento em que o publico, 994 comentários na respectiva caixa!!!
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