domingo, 24 de março de 2013

MARCHA FÚNEBRE

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"Não podemos perder de vista que o principio base do programa é fazer regressar Portugal a uma situação fundamentalmente melhor do que a que estava quando a crise começou"—assim falou o chefe da missão do FMI, parte da troika que tenta salvar Portugal da falência, em entrevista ao "DN". Fica-se ofuscado com tanta lucidez. Falo assim porque vem um e diz isto, vem outro e diz aquilo, e ninguém se lembra que, se estávamos à rasca quando a troika chegou, agora estamos  como aquele que caiu na fossa e, com a trampa a chegar ao queixo, só pedia que não fizessem ondas na água do banho.
Os portugueses já estão por tudo: ficaram sem subsídio de férias, sem subsídio de Natal, sem emprego, sem casa, sem eira, sem beira, sem o Godinho Lopes, pagam contribuição de solidariedade, e não reclamam—só pedem à troika que não faça ondas, ou seja, que não os deixe pior do que estavam no fim do inspirado consulado do Zezito—por favor, Senhor Selassié, mexa nisto com cuidado para a sopa da latrina não chegar ao bigode.
Mas podem os lusitanos descansar: Selassié, como se comprova na entrevista citada,  está atento ao nível da maré fecal. Tem um capataz, de seu nome Coelho, acolitado por Gaspar, com o marégrafo calibrado.
Pela minha parte, tenho fundados receios que nenhum deles perceba de marégrafos—basta olhar para a cara e currículos respectivos. Um deu provas de não saber ler as previsões da Maya quando trabalhava no Ministério das Finanças com Braga de Macedo. O outro é um ex-chefe de claque partidária, formado aos 37 anos numa dessas universidades criadas especialmente para ex-jotas, insensato, acintoso e imaturo. De tal modo que até o Zezito percebeu ter chegado a hora do regresso, imagine-se!!! Pior não podia ser!!!
A propósito, seguem várias interpretações da Marcha Fúnebre de Chopin—a primeira das quais lindíssima—para ouvir um bocadinho, antes de começar a chorar.
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