quinta-feira, 30 de maio de 2013

UM PAVÃO REAL

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Para maior ser a desgraça na Lusitânia, Mário Soares exige a demissão do Governo todos os dias, mais do que uma vez por dia, o que tira força aos que, muito legitimamente, pedem a mesma coisa. Cada vez que ouço o homem, tenho dificuldade em conter alguma solidariedade com Passos Coelho e Gaspar. Por qué no se calla el hombre? Cada vez que abre a boca, lança mais uma escora para perpetuar o executivo. É da sua natureza ser assim, como o escorpião.
Mário Soares não tem qualquer autoridade para falar. É um fóssil da Primeira República que ouvi um dia dizer não ter Aquilino Ribeiro culpas no regicídio porque não tinha sido ele a puxar o gatilho. Para conhecer a personalidade do politiqueiro enviesado e rasteiro que é, nada como ler o livro de Rui Mateus, magicamente desaparecido das livrarias e nunca mais editado, em nome da liberdade de expressão. Por exemplo, lá se lêem sobre Soares coisas assim, a páginas 122 e seguintes:

[...] Com algumas excepções, as suas escolhas para formar o I Governo seriam verdadeiramente desastrosas e aquele governo, no seu conjunto, nunca chegaria a ter uma esperança de popularidade. Sempre obcecado com o poder, aquilo que ele, efectivamente, nunca «descentralizará», começa então a pôr à prova a sua própria receita.
Assegura o controlo pessoal das finanças do partido através do seu cunhado, que tem ordens absolutas de não permitir o acesso a pessoas estranhas ao serviço. O que equivale a dizer que ninguém na direcção do partido tinha acesso àquele pelouro, dirigido, simbolicamente, no Secretariado Nacional, pelo fundador e fiel amigo Joaquim Castanho de Menezes. E, de um modo geral, divide para reinar, promove poderes paralelos entre dirigentes partidários e ministros. Desconfiado como é, entrincheira-se num 'bunker' de intrigas e de contra-informação na sua residência, que transforma num santuário de bajulação dos seus «fiéis». Despromove e demite todos os que se atrevam a dar muito nas vistas ou que acabem por ser imolados naquelas intermináveis sessões de esconjuração, fazendo depois circular razões de incompetência, ambição desmedida ou, até, megalomania para justificar os seus actos! Zenha seria uma das primeiras vítimas desta política. Os avisos «de amigo» da corte de bajuladores de que ele aspirava à chefia do partido e do governo, que Maria Barroso atribuiria à 'ambição desmedida da Maria Irene', conduziriam à circulação de boatos de que Zenha quereria ele próprio a pasta das Finanças, razão pela qual se teria oposto a Vítor Constâncio. E embora ele próprio reconhecesse ser um «zero» na matéria, faria constar que o Francisco Zenha de finanças nada percebia, embora tivesse sido, pesem as condições existentes em 1975, um excelente ministro das Finanças no VI Governo Provisório.
Outros históricos, que o acompanharam nas horas de amargura, se lhe seguiriam. A Manuel Tito de Morais foi dada a pasta de secretário de Estado da População e Emprego. Não porque Tito representasse qualquer ameaça à liderança, mas porque a segunda mulher do Tito de Morais, a Maria Emília, não era bem aceite na «corte» e ambas as famílias, a Barroso-Soares e a Tito de Morais, se gladiavam pela ocupação de lugares no aparelho do partido.[...] 

Blá, blá, blá—um trampolineiro alarve e incorrigível a pavonear-se com cauda de herói nacional.
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