Esta semana, o Secretário de Estado Hélder Rosalino
anunciou que as pensões de aposentação, de reforma e de invalidez dos
ex-funcionários públicos acima de 600 euros ilíquidos vão sofrer um corte até
10%.
Quanto às subvenções vitalícias pagas a ex-titulares de
cargos políticos, "porque têm um
regime jurídico próprio, diferente do que regula a matéria das pensões dos funcionários
públicos, não podem ser tratadas da mesma forma".
"Assim sendo, o tema das subvenções vitalícias será,
necessariamente e caso se justifique, tratado em sede própria e no momento
próprio".
Isto é conversa oficial do Governo. Ou seja, depois de depenar os antigos funcionários
públicos sem contemplação, legislando retroactivamente, Suas Excelências,
também eles políticos e beneficiários duma situação de favor escandalosa e mais
que discutível, informam-nos que o tema
das subvenções vitalícias será tratado em sede própria, caso se justifique, no
momento próprio.
É preciso não ter um nanómetro quadrado de vergonha na
cara para assim falar e proceder. Suas Excelências, se fossem gente decente por
quem pudéssemos nutrir um nanograma de respeito, começariam por eles próprios e
só depois iriam ao bolso dos funcionários públicos. Mas o problema maior nem é
o facto de não procederem assim. O problema maior é nem perceberem que há o
problema.
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