quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A GRANDE PROSPERIDADE EUROPEIA

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Joel Mokyr é professor de História e Economia na Northwestern University, em Illinois. "A Culture of Growth: Origins of the Modern Economy" (2016) é o título do  seu último livro. Hoje pode ler-se, no AEON Magazine, um artigo da sua autoria intitulado "The Great Enrichment",  com o sub-título "This is How Europe Became the Richest Place on Earth: by Being Politically Fragmented, Yet Intellectually United".
Resumindo em poucas palavras, Joel Mokyr sustenta que a fragmentação da Europa nos séculos XVI, XVII e XVIII fomentou grande concorrência entre povos e estados — estimulante do progresso — sem que tal prejudicasse o intercâmbio cultural, científico e técnico. Na realidade, existiria uma só comunidade intelectual, constituída por personagens que, além de cidadãos do seu Estado, se comportavam intelectualmente como cidadãos da Europa. Com o Latim a servir de língua franca, o Cristianismo como elemento agregador, e com a tradição de cada um procurar os melhores locais para trabalhar na sua especialidade, a cultura — como sinónimo de conhecimento — conheceu substancial avanço e facultou enorme  apoio ao progresso material e ao bem estar social.
Juan Luis Vives e Desiderius Erasmus, dois dos principais nomes do humanismo do Século XVI na Europa, são bons exemplos. Vives nasceu em Valência, na Espanha,  estudou em Paris, viveu a maior parte da vida na Flandres e era membro "Corpus Christi College",  em Oxford. Erasmus viajava entre Lovaina, Inglaterra e Basileia, mas também residiu em Turim e Veneza. Globetrotters!
Em boa verdade, a comunidade intelectual europeia vivia no melhor de dois mundos: desfrutava da integração na elite académica de todo um continente que, simultaneamente,  tinha múltiplos estados avançados, independentes e concorrentes entre si. Era o equivalente à comunidade actual dos jogadores de futebol, com pátria e sem pátria — dependendo das circunstâncias — e que estará na base da notável evolução da modalidade em muitos países (digo eu!).
O artigo de Joel Mokyr é de leitura fácil, quase em Inglês Básico, e o original pode ser lido aqui.
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