domingo, 19 de fevereiro de 2017

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL — AUGÚRIOS !

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Ross Anderson é editor senior da "The Atlantic", onde coordena as secções de Ciência, Saúde e Tecnologia. Um dos seus artigos mais recentes intitula-se "Omens" ("Augúrios") e tem o sub-título  Quando perscrutamos através da bruma profunda do futuro, o que vemos — a extinção da humanidade ou um futuro entre as estrelas?

Está baril!!!

Dada a extensão do texto, não é possível fazer um resumo com dimensão para post de blog; mas vale a pena seleccionar algumas passagens mais importantes do meu ponto de vista. Começo por chamar a atenção para a pergunta que Anderson deixa para os leitores darem a sua opinião: "O Universo (provavelmente) acabará um dia. Devemos começar a pensar em fazer alguma coisa sobre isso?"

Depois começa assim:

Há nove boas razões para qualquer espécie pensar no futuro negro da sua própria extinção. Noventa e nove por cento das espécies que viveram na Terra desapareceram, incluindo mais de cinco hominídeos capazes de usar ferramentas. Um olhar rápido para fósseis basta para pensar que a Terra, com o tempo, se está a tornar mais perigosa. Se dividirmos a história do planeta em nove idades, ou períodos, cada uma com quinhentos milhões de anos, só na nona encontramos extinções em massa que liquidaram mais de dois terços de todas as espécies. [...]

E continua, mais adiante:

[...] A vida unicelular surgiu cedo na história da Terra. Poucas centenas de milhões de voltas ao recém-nascido Sol bastaram para arrefecer o nosso planeta e dar-lhe os oceanos, laboratórios líquidos que fazem milhares de biliões de experiências químicas por segundo. Algures naqueles mares, a energia chegou a um daqueles cocktails químicos transformando-o num replicador, combinação de moléculas capaz de enviar versões de si própria para o futuro.
Durante muito tempo, os descendentes daquele replicador permaneceram seres unicelulares. Estiveram ocupados  a preparar o planeta para a emergência de animais terrestres, enchendo-o de oxigénio respirável e envolvendo-o com uma camada de ozono, protectora contra a radiação ultravioleta.
A vida multicelular só apareceria há 600 milhões de anos. No espaço de 200 milhões, a vida passou para a terra, tornou os continentes verdes e pegou fogo ao rastilho da explosão Cambriana, um pico sem par da criatividade biológica nos registos geológicos. A explosão Cambriana foi o berço das múltiplas categorias da vida animal.
Ninguém sabe o que causou as cinco extinções em massa ocorridas desde o período Cambriano. Mas temos ideias acerca de algumas. A mais recente foi provavelmente devida ao impacto cósmico de um corpo vindo do espaço e que terá exterminado os dinossauros. O nicho ecológico para os mamíferos cresceu na sequência dessa tragédia, o mesmo acontecendo com os seus cérebros. Um subsector desses cérebros, eventualmente, aprendeu a fazer ferramentas a partir de rochas e a usar sons como símbolos para comunicar pensamentos. Armados com este tipo de comportamentos extraordinários,  rapidamente conquistaram a Terra, cobrindo-a com cidades que brilham vistas do espaço. Foi uma história triste na perspectiva dos dinossauros, embora simétrica, porque eles também chegaram onde chegaram depois de outra extinção em massa — cento e cinquenta milhões de anos antes, uma erupção vulcânica medonha havia exterminado os curotarsi, concorrentes dos dinossauros. As extinções em massa têm servido como guilhotinas e/ou aclamadoras de réis e rainhas na vida da Terra.
A prosa já vai longa e, para atalhar, acrescentarei o fundamental da ideia do artigo de Anderson, ideia transmitida por um seu entrevistado, o professor de Oxford Nick Bostrom. Segundo este, o cérebro humano é muito bom para o género de actividades que é preciso ter na savana — como atirar flechas à caça. Mas quando precisa usar probabilidades, é uma lástima. E, diz Bostrom, "veja-se o tempo que levou a chegar à ideia da selecção natural". Os antigos gregos já tinham todos os dados para lá chegar. Contudo, levou milhares de anos a fazê-lo. Se tivéssemos uma máquina capaz de fazer inferências, em vez de termos cérebros humanos, teríamos andado muito mais depressa. Infelizmente, não temos. E isso coloca-nos em situação complicada porque brincamos com o fogo. E o fogo, neste caso, é a inteligência artificial. Estamos cada vez mais dependentes dela. Um dia virá em que perderemos o seu controlo  nas ruas, nos cafés, nos restaurantes, nos autocarros, até nos cinemas, há cada vez mais gente com o "cérebro" na mão — o smartphone! Ao ver tal espectáculo, fazem-se votos para que o smartphone, ou o computador, não sejam o actual asteróide que extinguiu os dinossauros, ou a erupção vulcânica que fez o mesmo aos crurotarsi. Estou pessimista!
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