terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"HOMO INSAPIENS"

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Anaxágoras,  filósofo grego da antiguidade, terá dito um dia que é por ter mãos que o homem é o mais inteligente dos animais. Na época de Anaxágoras, as mãos serviam para trabalhar, escrever, comer, aclamar, acariciar, cumprimentar, apoiar, apontar, lavar, e número incontável de outros objectivos, todos relacionados com o ambiente próximo. A mão, como os olhos e o ouvido, era uma das mais importantes peças da anatomia humana na relação com o meio. Grande parte do desenvolvimento da humanidade fez-se à custa da informação colhida e trabalhada pela mão.
Hoje, a mão serve cada vez mais e quase apenas! como suporte do telemóvel, ou do smartphone, os "cérebros" humanos  do Século XXI.  O homem vai-se desligando progressivamente de operações mentais como memorizar compromissos, fazer contas, respeitar normas ortográficas, guardar percepções visuais, saber "quantos são hoje", qual o dia em que o Benfica joga e com quem, ou se o Sporting tem menos dez ou doze pontos que o "Glorioso". Se há dúvidas, é só accionar o "tijolo electrónico" para as tirar em segundos! Os namorados sentam-se nas esplanadas e o namoro consiste em, cada um para o seu lado, navegarem por locais diferentes do "éter", seja na música, nas mensagens de amigos, nas notícias, em álbuns fotográficos, fofocas e coisas similares.
O conceito original de conviver implicava proximidade física. Já não é mais assim! Hoje, convive-se com os telemóveis e smartphones, trocando mensagens etéreas lançadas no espaço para a torre de comunicações mais próxima, onde aguardam que o destinatário as receba. Mesmo com duas mãos, o namorado já não consegue segurar o telemóvel ao mesmo tempo que a mão da namorada!
Se Anaxágoras cá viesse, a surpresa seria grande. Provavelmente escreveria que é por ter mão que o homem está a cada vez mais estúpido  Homo insapiens!
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