sábado, 29 de setembro de 2012

TROPA-FANDANGA

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Lê-se nas notícias de hoje que o Conselho de Chefes de Estado-Maior repudia as afirmações “irresponsáveis” e “ilegítimas” dos últimos dias, feitas por alguns órgãos sócio-profissionais das Forças Armadas.
Quem fala pelos militares são as chefias militares, dizem os generais que lideram o Estado-Maior do Exército, da Armada, da Força Aérea e o Chefe de Estado-Maior General. Assinam um comunicado muito duro, divulgado esta sexta-feira, que, embora não se refira às recentes declarações de responsáveis das associações dos oficiais, dos praças e dos sargentos, é-lhes dirigido. Essas estruturas socioprofissionais têm vindo a público solidarizar-se com protestos anti-austeridade e, nalguns casos, pedir a demissão do primeiro-ministro, dizem os generais.
Não sou militar mas, por razões que não vêm ao caso, durante 10 anos trabalhei, como militar primeiro, e depois como civil, nas Forças Armadas. Conheço o meio razoavelmente e como era o espírito de disciplina, princípio indispensável e indissociável das suas missões. Com a revolução dos cravos, foi o que se viu. Desde juramentos de bandeira perante uma bandeira com um buraco no lugar do escudo porque este era "fascista", até juramentos propriamente ditos inenarráveis, redigidos por notórias e "respeitadas" figuras da política actual desejosas que isso seja esquecido depressa.
Mas o mal foi inoculado e continua latente nas instituição militar, sob a forma encapotada de "associações profissionais" que, em vez de investirem na formação dos seus associados, na ajuda social à classe, na melhoria da imagem dos militares, se limitam a fazer política rasteira e partidarizada, a contestar as chefias—coisa supostamente impensável—e a dar um espectáculo com aroma a chulé de Infantaria. Organizações marionetas de partidos que tentam controlar as Forças Armadas pela porta do lado, sem qualquer preocupação de as abastardar. A náusea!
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