quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O ZÉ FUGIU

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Os jornais são um perigo para a saúde de gente débil e impressionável como eu. Na Segunda-Feira, li com grande frémito que Cândida Almeida ia deixar o DIAP, depois dum desempenho irrepetível no futuro próximo e remoto; ontem, constatei que os portugueses estão preocupados com o desemprego que os afecta, mas a obrar para as previsões do dito feitas por esse verdadeiro oráculo do Terreiro do Paço, de seu nome Gaspar; e hoje leio de supetão que o Zezito é, desde o dia 1 de Janeiro, Presidente do Conselho Consultivo do grupo farmacêutico Octapharma para a América Latina. 
Graças a Deus, a notícia apressa-se a esclarecer que Zezito exercerá tal actividade a par com os altos estudos em Paris, dúvida que me assaltou e sobressaltou quando vi o jornal.
Tudo está bem, quando acaba bem. A Octapharma acaba de fazer uma grande escolha, que seguramente vai contribuir para aumentar a dívida e fazer singrar a empresa, à grande vitesse, a caminho da bancarrota, e Portugal fica tranquilo com  a garantia de que um dos mais brilhantes  e inspirados quadros da terra de Camões continua a aumentar a sua valorização em Paris, se tal é ainda possível. 
Mas quero fazer o reparo de que  os jornais devem aprender a dar notícias: primeiro as boas e só depois as más. E suavemente—é que, olhando para a secura do título desta, podia dar alguma coisa a alguém ao imaginar que Zezito abandonava a escola.

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