domingo, 6 de janeiro de 2013

PACIÊNCIA DE JÓ

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Mais de 80% da matéria do universo é uma coisa que nunca se viu; literalmente. Por isso, é chamada matéria negra, nome pouco feliz porque o negro também se  vê—melhor fora chamar-lhe matéria invisível. Não interessa isto.
A matéria dita negra não emite, nem absorve, radiação e por isso é invisível. Sabe-se que está lá porque exerce força de gravidade sobre outras massas visíveis e sobre as radiações do espaço. Por exemplo, desvia o trajecto da radiação visível quando esta passa pelo seu campo gravitacional, encurvando-a, num efeito semelhante ao do vidro da lupa, e tal desvio é tanto maior quanto maior é a massa de matéria negra.
Partindo deste facto, investigadores da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, durante cinco anos observaram milhões de galáxias a mais de 6 mil milhões de anos/luz da Terra e estudaram os desvios das suas luzes no trajecto até nós. Com tais dados—obtidos com paciência de Jó—calcularam a massa de matéria negra que provocaram os desvios e a sua localização. Fizeram mapas de quatro áreas do espaço celeste e apresentaram os resultados, com grande sucesso,  numa reunião da "American Astronomical Society". Trabalho importante de que se reproduz uma de múltiplas imagens, onde a branco, ironicamente, está a matéria negra—as manchas maiores têm dimensão semelhante a várias luas—e a negro os espaços vazios.  
A matéria negra é importantíssima para a existência da visível. Sem ela não se formariam as galáxias, as estrelas, os planetas e tudo o mais, incluindo nós próprios, o Benfica que ganhou 3-1 ao Estoril, também ele inexistente se não houvesse matéria negra, o Relvas e o Artur Baptista da Silva, ex-dirigente da SAD do Sporting e ex-membro duma comissão política qualquer do Partido Socialista. Ganda matéria negra!
Como curiosidade, chamo a atenção para o facto de a luz agora estudada pelos investigadores ter sido emitida pelas galáxias há 6 mil milhões da anos, tinha o universo então pouco mais de metade da idade que tem hoje—cerca de 13,7 mil milhões de anos. Ainda era jovem!

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