terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

SER BENFIQUISTA


Fernando Ulrich não é exactamente o género de pessoa que atrai simpatias. Deve ser detestado por boa parte da população desta ditosa Pátria amada por Camões. A mim, que não o conheço pessoalmente, não aquece nem arrefece—ponto parágrafo.
Hoje, na Assembleia da República, terá estranhado a preocupação da deputada Ana Drago com aquilo que recebe no BPI. Terá mesmo perguntado porque não se preocupa da mesma forma a deputada com os 330 mil euros que o treinador do Benfica aufere por mês.
A questão está bem posta: o ordenado de Ulrich deve ser um escândalo, suspeito eu, semelhante ao de Jorge de Jesus; mas a deputada, e o Bloco em bloco, só se preocupam com Ulrich. Porquê? Está bom de ver: porque Ulrich é banqueiro e, por definição um opressor do proletariado, e  Jesus é um proletário oprimido—rico, mas oprimido por definição, porque é proletário.
Há filosofias políticas e paixões políticas. As primeiras, respeitáveis, são do foro racional. As segundas, deploráveis, são do foro da psicopatologia. Um cidadão pode ser do Benfica racionalmente, mas a maior parte das vezes não é—é irracional a paixão. Contudo,  a  coisa é irrelevante e até tem graça. Mas não se pode, ou não se deve ser de esquerda ou direita pela mesma razão que se é do Benfica; e a maior parte dos militantes exaltados da política são casos lamentáveis de benfiquismo. Mais nas extremidades do espectro, como é o caso do BE, mas o fenómeno é transversal. Daí decorre muita  da trampa em que chafurdamos. Esse é o problema.
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