segunda-feira, 25 de agosto de 2014

A VIDA NÃO FAZ LIXO

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Genoma é o conjunto de genes que existem no núcleo das células dos seres vivos, incluindo naturalmente as nossas. Os genes contêm a "receita" para fabricar moléculas, especialmente proteínas, material principal para construir corpos humanos e outros. Inesperadamente, só 3% do genoma se ocupa desse trabalho. E o restante 97% o que faz? Nada!!!... Uma boa pergunta e uma resposta estúpida—a natureza é económica e não esbanja recursos.
O problema é filosófico e decorre do ponto de vista. Com a mania das grandezas, achamos que, no duo homem/genoma, nós somos o objectivo,  o genoma o instrumento; mas, provavelmente, é ao contrário. Ou seja, existe o genoma para nós existirmos, ou existimos nós para o genoma existir? E se fôssemos meros instrumentos para ele se perpetuar?
Todos os seres vivos começaram com o ADN do genoma. Genoma é vida. E vida, como Darwin ensinou, é luta pela sobrevivência no meio. A primeira selecção natural foi sentida pelo ADN—só o mais apto resistiu. E aqui começa a visão filosófico-científica do problema. A "construção" progressiva de seres mais diferenciados, de que o homem será o expoente maior, terá sido condicionada pela necessidade do genoma se adaptar e resistir ao meio. Toda a evolução obedeceu a isso, incluindo a viagem do chimpanzé até ao Homo sapiens. Damos mais garantias ao genoma de sobreviver que o chimpanzé, porque somos mais inteligentes (alguns!). E quando nos reproduzimos, tal como outros seres, criamos novo genoma, metade de origem paterna e metade de origem materna. Aumenta a variedade de genomas o que multiplica as experiências de combinação e apura a espécie.
Os 97% do genoma que aparentemente não serve o homem, porque não produz moléculas directamente  para o seu serviço, serve o restante genoma, por exemplo, replicando partes do todo. Do ponto de vista da biologia genética é muito importante para o genoma e pouco importante para nós que somos apenas instrumento de sobrevivência desse genoma.
Já tinha pensado que atura o seu chefe, farta-se de trabalhar, faz contas à vida para pagar as burrices do Passos Coelho, as jericadas dos deputados, as borradas do Ricardo Salgado, rebabá, tudo para conforto do seu genoma? A maioria do genoma, que considera lixo, está preocupada com ele e não consigo. Esforce-se para sobreviver porque ele é o maior beneficiário do seu esforço. Eh, eh, eh...
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Esta prosa é um resumo (livre e mal feito) do excelente artigo publicado no "AEON Magazine", intitulado "Life doesn’t make trash" (A Vida Não Faz Lixo), da autoria de Iatai Yanai, professor associado de Biologia em Israel, e de Martin Lercher, professor de Bioinformática na Alemanha, ambos autores do livro, a publicar em breve,  "The Society of Genes".
A imagem em cima é a que ilustra o artigo referido.
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