domingo, 17 de agosto de 2014

CARLOS DO CARMO NÃO USA CEROULAS DE MALHA

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Carlos do Carmo canta bem canções agradáveis de ouvir. Carlos do Carmo tem pose de intelectual que não é, mas gosta de representar o papel de. Um dos instrumentos de Carlos do Carmo é o desempenho do papel de personagem comunista que dá um toque de. Não digo, como Almada, que Carlos do Carmo é um habilidoso, que Carlos do Carmo se veste mal, que Carlos do Carmo usa ceroulas de malha, mas digo que é um cabotino ridículo como todos os cabotinos. No fundo, as pessoas gostam de o ouvir cantar, mas ninguém o leva a sério.
No "Diário de Notícias"  de hoje, Alberto Gonçalves, com inspirado sarcasmo, faz um ponto da situação que vale a pena divulgar:

É invejável o talento dos grandes artistas para interpretar, além de cançonetas, os sentimentos do povo (ou da "população", palavra que Carlos do Carmo prefere). Como um médium dedicado aos vivos, ou como Mário Soares, Carlos do Carmo comunica intimamente com o espírito das massas e descobre que estas não tardam a irromper furiosas de modo a colocar os poderosos na ordem e a devolver a "dignidade" (sic) à pátria.
Embora não me lembre da última vez em que o País foi assim particularmente digno, fico muito satisfeito com a previsão. Só me angustia uma coisa: e se a população que "não estava habituada a pedir esmola" não distinguir as elites dos artistas que costumam rondar as elites à cata de subsídios e patrocínios? O que acontecerá se a indignação das multidões também se voltar contra a rapaziada dos espectáculos pagos pelas autarquias e decididos por ajuste directo? Carlos do Carmo garante que "a população desta terra gosta" das gentes da "cultura", mas não consigo ficar descansado.
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