sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

CAPITAL

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Falando da inovação na economia, e na sociedade em geral, referimos o capital como um dos factores que promovem o seu fomento, além da ciência, do benefício  da propriedade intelectual, da ajuda governamental e das oportunidades do comércio.
Qualquer investidor bem formado sabe que, para  incentivar a inovação, é necessário aliar dinheiro a talento; mas esta é uma visão recente. Na Roma imperial, dezenas de escravos sabiam como criar melhores lagares, melhores moinhos de água, melhores teares; e os detentores do dinheiro sabiam como investir e consumir. Mas estavam longe uns dos outros. Um belo dia, um pobre homem mostrou a Tibério a sua invenção—vidro inquebrável. O imperador perguntou se mais alguém sabia daquilo. Como ninguém sabia, mandou decapitar o inventor, não fossem os interesses instalados ser molestados. Um missionário na China ming escreveu na altura: qualquer homem de génio é paralisado pelo receio de que os seus esforços sejam castigados, em vez de recompensados.
Só há cerca de um século as empresas começaram a investir em investigação e desenvolvimento. Mas a tendência vai sendo abastardada por burocratas defensivos, atraídos por projectos de baixo custo e risco nulo. O investidor George Doriot dizia que o momento de maior perigo na vida da empresa é quando ela começa a ter sucesso—pára de inovar e estagna. Por isso, não foi a IBM, mas sim a Apple, que desenvolveu o computador pessoal; e foram os irmãos Wright a inventar o voo com motor, não o exército francês.
Mas investir, apesar de óptimo catalisador, nem sempre é condição sine qua non para inovar. Mark Zuckerberg inventou o Facebook ainda estudante, sem necessidade de gastar muito em investigação e desenvolvimento; e Peter Thiel, fundador da Paypal, investiu quase nada, se compararmos com os empresários da época da máquina a vapor, ou dos caminhos de ferro.
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