Qualquer investidor bem formado sabe que, para incentivar a inovação, é necessário aliar
dinheiro a talento; mas esta é uma visão recente. Na Roma imperial, dezenas de escravos
sabiam como criar melhores lagares, melhores moinhos de água, melhores teares;
e os detentores do dinheiro sabiam como investir e consumir. Mas estavam longe
uns dos outros. Um belo dia, um pobre homem mostrou a Tibério a sua
invenção—vidro inquebrável. O imperador perguntou se mais alguém sabia daquilo.
Como ninguém sabia, mandou decapitar o inventor, não fossem os interesses
instalados ser molestados. Um missionário na China ming escreveu na altura:
qualquer homem de génio é paralisado pelo receio de que os seus esforços sejam
castigados, em vez de recompensados.
Só há cerca de um século as empresas começaram a investir
em investigação e desenvolvimento. Mas a tendência vai sendo abastardada por
burocratas defensivos, atraídos por projectos de baixo custo e risco nulo. O investidor George Doriot dizia que o momento de maior perigo na vida da empresa é
quando ela começa a ter sucesso—pára de inovar e estagna. Por isso, não foi a
IBM, mas sim a Apple, que desenvolveu o computador pessoal; e foram os irmãos Wright
a inventar o voo com motor, não o exército francês.
Mas investir, apesar de óptimo catalisador, nem sempre é condição sine qua non para
inovar. Mark Zuckerberg inventou o
Facebook ainda estudante, sem necessidade de gastar muito em
investigação e desenvolvimento; e Peter
Thiel, fundador da Paypal, investiu quase nada, se compararmos com
os empresários da época da máquina a vapor, ou dos
caminhos de ferro.
.
Sem comentários:
Enviar um comentário