quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"KEEP CALM AND CARRY ON"

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O problema da energia assume importância crescente na sociedade devoradora de joules que é a nossa. A sua história é simples e interessante. Ao princípio todo o trabalho era realizado por pessoas, para elas próprias, usando a energia do ciclo de Krebs nos músculos.  Depois, passou-se à fase em que uns trabalhavam para os outros, gerando coisas como o ócio, as pirâmides do Egipto, trabalho violento e exaustão. Assim foi construído o Império Romano.
Paulatinamente, o músculo humano foi sendo substituído pelo do animal. Primeiro foi o boi. A utilização do feno permitiu aos europeus do Norte alimentá-los durante o Inverno. Depois da invenção do arnês, o boi foi substituído pelo cavalo, mais rápido a arar a terra e a puxar a carroça—mais produtivo.
Seguiu-se a utilização da energia não biológica. Começou com a água em movimento, nas azenhas, para moer o grão, separar a farinha do farelo, encher as cubas para fazer cerveja, bater os tecidos crus e por aí fora.
O moinho de vento só apareceu no Século XII, mas rapidamente se multiplicou nos Países Baixos onde a força da água era fraca. Contudo, ali se encontrou outra fonte de energia—a turfa, extraída dos pântanos acabados de drenar. Foi com ela que os holandeses se transformaram na primeira oficina do mundo, no Século XVII.
Corrente de água, vento e  turfa são formas indirectas de utilizar a energia solar. O carvão, que veio depois, também é energia solar armazenada há muito mais tempo—fóssil de antigas plantas.
O mesmo com o petróleo e o gás natural. Estamos a usar energia absorvida por plantas, através da fotossíntese,  há tempo inimaginável. São formas de energia renovável a longo prazo, mas a ritmo muito mais lento do que consumimos.
É possível que o actual consumo leve ao seu esgotamento no futuro. Além dos putativos efeitos no clima, este é um problema da humanidade. Mas antes de gritar que vem aí o lobo, deve-se pensar em Malthus e em todos os profetas das desgraças que não aconteceram. Não é líquido que o efeito estufa, com o aquecimento global consequente, sejam favas contadas. Há lobbies metidos na história e muita gente a ganhar dinheiro à custa disso. Os consumidores de electricidade em Portugal que o digam—basta olhar para uma factura da EDP ou da Endesa. Quanto ao esgotamento, quem disse que, tal como se passou da azenha movida por animais para a movida pela água, não vamos produzir energia limpa e ilimitada a partir da fusão do hidrogénio, ou coisa parecida? Keep calm!
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