sexta-feira, 26 de julho de 2013

O MIAU E O LULU

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Felino urbano cascalense

Na França da liberdade, igualdade e fraternidade,  em Janeiro de 2013, haveria 63.703.191 pessoas, o que é muita liberdade, igualdade e fraternidade. Na mesma data, revela um estudo feito pelos fabricantes de rações para animais de companhia, estes seriam 63 milhões—ou seja, aproximadamente um animal de companhia por cada habitante. Se considerarmos que o número de habitações é bastante inferior ao dos que nelas habitam, em cada casa há mais que um animal de companhia, em média.
E que animais são esses? São 35 milhões de peixes de aquário; 11,4 milhões de gatos; 7,4 milhões de cães; 6,4 milhões de aves; e 2,7 milhões de roedores, além dos chamados novos animais de companhia, não contabilizados no estudo, como répteis, batráquios e uma trapalhada inenarrável e inesperada de outra fauna.
Pergunta-se—ou, melhor dizendo, pergunto eu—porquê tantos animais? Se o cidadão vive só, compreende-se: são companhias, como o nome indica; mas tais casos são a minoria. A maior parte vive em lares com vários humanos. Parece-me que o homem, maioritariamente, depois de séculos de vida urbana, continua a sentir falta do habitat natural, que era a mata, a floresta, a estepe, a margem fluvial, ou uma coisa assim.
É o peixinho de aquário na cozinha a encenação pífia da margem fluvial? Ou o passarinho na gaiola, a reconstituição da floresta? O gato, o felino predador? Provavelmente sim e acho mais: o homem contenta-se com pouco, felizmente. Imaginem que só satisfazia o desejo instintivo de regresso às origens com uma vaca leiteira no 4º andar direito dum prédio da Travessa do Fala Só, ou com uma muar no 5º esquerdo, algures na Avenida 5 de Outubro?
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