segunda-feira, 22 de julho de 2013

SOMOS LIVRES, OU QUÊ ?

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“All the world’s a stage, and all the men and women merely players.” — Shakespeare


Shakespeare viveu a maior parte da vida no Século XVI. O conhecimento—da Biologia, da Física, da Cosmologia, da Neurociência—fundamental para fazer raciocínios filosóficos, era rudimentar. Contudo, o dramaturgo tinha a intuição do que viria séculos depois a ser defendido cientificamente, quando escrevia que o mundo é um palco e homens e mulheres meros actores. Dizia Shakespeare que o indivíduo representa um papel no teatro que é o mundo, em peça de que não é autor.
Quatrocentos anos mais tarde, com conhecimento muito avançado (relativamente!) da estrutura atómica, da evolução do universo, da natureza da vida, da função cerebral, há boas razões para acreditar que somos meras marionetas físicas, ou bioquímicas, ou ambas as coisas, cujo comportamento é ditado de forma exclusiva por fenómenos biológicos regulados por leis que não controlamos. Isto é, não há livre arbítrio.
Assim pensam Sam Harris, Jerry Coyne, Jonathan Bargh, Daniel Wegner, John Dylan Haynes, Stephen Hawking e Richard Dawkins, para citar só alguns. Quase todos, se não todos, ateus. E porque falo na qualidade de ateus?
Em boa verdade, o ateu—no contexto científico actual—tem pouca margem de manobra para aceitar o livre arbítrio. Com o que conhecemos da Neurociência, o livre arbítrio só pode existir sob a influência dum poder sobrenatural capaz de controlar o determinismo bioquímico e permitir ao homem actuar em função de princípios abstractos, mesmo contra a tendência biológica.
É crucial este ponto porque envolve a discussão da responsabilidade, ou da imputabilidade.
Em boa verdade e paradoxalmente, a defesa do livre arbítrio, sob este ponto de vista, pode constituir argumento de prova da existência de um ser inteligente, criador de tudo. A menos que a Neurociência—e tal não é de excluir—venha a encontrar mecanismos libertadores do determinismo bioquímico de que se julga actualmente estarmos dependentes nos actos e acções.  
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