quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ANDREAS SCHERLOCK NERLICH HOLMES

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Uma múmia repousa há mais de um século em museus alemães e a respeito dela pouco se sabia até agora. A história começou em 1890, quando a princesa Teresa da Baviera comprou duas múmias numa viagem à África do Sul—há gostos para tudo! Uma delas desapareceu, mas a outra encontra-se na Colecção Arqueológica do Estado da Baviera, em Munique. Bombardeamentos durante a guerra e transferências sucessivas levaram à perda de toda a documentação a ela respeitante, tornando-a num enigma. 
Estudos recentes trouxeram nova informação e por isso falo disto porque é notável como se pode saber indirectamente tanta coisas sobre uma pessoa mumificada há 400 ou 500 anos.
Andreas Nerlich, paleopatologista da Universidade de Munique, estudou o corpo através de tomografia axial computorizada, exames de ADN de micro-organismos presente no corpo, análise bioquímica dos cabelos e rebabá.
Então, o crânio tem uma fractura frontal—com parte da calote craniana ainda dentro da cabeça—resultante, muito provavelmente, de traumatismo infligido de forma intencional para produzir a morte em ritual religioso: a informação histórica adquirida noutros casos assim faz crer. Foi depois inumada no deserto de Atacama, um dos lugares mais secos do planeta, onde o calor e o ar seco rapidamente desidrataram o corpo promovendo a mumificação. E fala-se de deserto de Atacama porque ela viveu na América do Sul— tem a configuração do crânio característica dos incas; nos cabelos encontram-se isótopos de carbono e azoto abundantes no milho e peixe daquela região; e os cabelos estão presos com fitas feitas de pelo de lama.
A vítima tinha entre 25 e 30 anos e foi escolhida porque estaria em fase terminal duma doença grave e endémica  no local onde vivia, a Doença de Chagas—foi encontrado ADN do parasita Trypanosoma cruzi, agente da doença.
Pode pedir-se mais? Acho que não! Nem Scherlock Holmes lá ia!
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