quarta-feira, 19 de junho de 2013

METAFÍSICA TEUTÓNICA

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António acaba de se despedir de Manuel que ficou no balcão do bar, onde ambos beberam umas cervejolas. À saída, encontra Joaquim com uma pistola na mão para matar Manuel.  Pergunta a António se o viu. Se este diz a verdade, Joaquim avança e mata Manuel. Se diz que ele saiu há meia hora, Joaquim vai procurá-lo noutro sítio e Manuel não é morto. A verdade é fatal para Manuel e a mentira salva-o. Deve António falar verdade, ou deve mentir?
A questão é careca! Alguém tem ou teve dúvidas nesta matéria? Ninguém. Nem mesmo Immanuel Kant, filósofo e pensador, cuja opinião era de que António devia dizer a verdade, mesmo que isso significasse a morte de Manuel—tal e qual!
Não mentir é um imperativo categórico, segundo ele. Por exemplo se eu digo deixa de fumar, se queres conservar a saúde, ou se queres gastar menos dinheiro, estou a usar um imperativo hipotético ou condicional; mas, se digo só deixa de fumar, o imperativo é categórico e Kant achava que não mentir é tal.
Não estou muito certo da sanidade mental do filósofo, nem isso interessa. Recordo apenas que Kant é visto por muita gente como um caso típico de filósofo metido na torre de marfim a mastigar Metafísica teutónica. Kant nunca saiu da terra natal onde  ensinava e vivia solteiro e só. A respeito de sexo dizia assim:
É em si próprio uma degradação da natureza humana porque, desde que uma pessoa se torna objecto do apetite de outra pessoa, toda a relação moral deixa de funcionar. O objecto do apetite passa a ser uma coisa usada por todos como tal.
Suspeito que Kant, se fosse vivo, votava na Senhora Merkel e achava a austeridade vigente uma libertinagem—pão e água e castidade é que a União Europeia está a precisar. Pouco pão e pouca água e muita castidade, acrescente-se.

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