segunda-feira, 24 de junho de 2013

UNIVERSO VEZES ENE

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A expressão multiverso não tem a ver com múltiplas composições em verso, é infeliz por isso, resulta de tradução rasca do inglês multiverse e respeita à existência de eventuais universos múltiplos, em oposição a um universo único.
É possível que este universo de que vemos uma parte seja enorme, imenso, mesmo infinito, mas único: isto é, com as mesmas características físicas em toda a parte. A ser assim, é bem possível que se repita e existam regiões sobreponíveis àquela que nos rodeia, incluindo mesmo outra Via Láctea, com outro Sistema Solar, outra Terra, outro Portugal e até outro Vítor Gaspar e outro Cavaco Silva, embora as duas últimas hipóteses sejam redundantes porque um exemplar de cada chega. É a forma mais simples de multiverso porque não é mais do que a repetição do mesmo.
Mas podemos admitir que, logo a seguir ao Big-Bang, se tenham gerado mais universos, além do que conhecemos parcialmente. Podem ter sido dois, três, ene, com características diferentes do nosso. Constituirão bolhas cósmicas imensas espalhadas no espaço eventualmente infinito. Aqui a trapalhada começa a ser maior porque, se nem compreendemos muito bem as leis físicas que nos regem, nem por sombras imaginamos que leis serão as desses universos. A primeira pergunta que nos suscita a matéria é se há lá vida e, se há, se é tão inteligente como o Dr. Soares. Digamos que esses universos são gémeos do nosso, gémeos verdadeiros uns, outros não.
Mas a complicação especulativa pode aumentar. Imaginemos que há vários universos, mesmo infinitos, a ocupar o mesmo espaço e tempo que o "nosso". Ou seja, estaríamos dentro dum universo que conhecemos mal e, simultaneamente, dentro de outros universos de que nem nos apercebemos. Como é isso possível? perguntar-se-á. É fácil no plano teórico!
Temos falado várias vezes da limitação do conhecimento do que nos rodeia, condicionados pelo espectro de sensibilidade dos nossos sentidos. O exemplo—sempre o mesmo—é o do peixe de águas abissais que só contacta com o mundo através de impulsos eléctricos. Esse ser, podemos dizer, vive num universo diferente do nosso, ocupando o mesmo espaço e tempo. Por isso, porque não há imensa gente doutro universo, ou doutros universos, a viver ao nosso lado, com leis físicas diferentes, sem nos apercebermos disso, nem nós, nem eles? As leis da Física deles versus nossas podem inclusivamente permitir que nos permeemos mutuamente, duplicando, triplicando, a lotação do Metro, ou que haja vinte meios de transporte diversos a operar no mesmo espaço, ou que nem precisem de transporte para se deslocar, fazendo-o por migração molecular espacial!
A ser assim, qual é o nosso papel? Chegado aqui, não digo mais nada porque, se chegaram aqui, podem os leitores fazer como Almada faria ao Dantas: haverá tais munições de manguitos que levarão dois séculos a gastar.
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