sexta-feira, 28 de junho de 2013

O PERIGO DAS DOUTRINAS OFICIAIS

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 Fernando Calado Rodrigues é padre católico e cronista habitual no “Correio da Manhã”. Para ser franco, não costumo ler o que escreve. Mas o título da crónica de hoje―’Galileu Galilei’― chamou-me a atenção e tive uma surpresa.
Logo a abrir, assenta ideias: “Uma das páginas mais lamentáveis da História da Igreja é a condenação de Galileu Galilei pela Inquisição”, escreve.  
E mais adiante: “Foram necessários mais de 300 anos para a Igreja reconhecer o seu erro. (Concretamente, foram 380 anos, digo eu).  Em 1983, João Paulo II institui uma Comissão Pontifícia para rever o processo de Galileu, que em 1992 reabilita as suas teses”.
Noto que a comissão nomeada por João Paulo II levou quase 10 anos para tomar uma decisão sobre a inenarrável  patifaria feita a Galileu, homem de fé e um dos marcos do progresso científico moderno. Há um aroma a má vontade pouco disfarçada por parte da Cúria Romana, talvez porque Galileu é uma das pedras no sapato mais incómodas na História da Igreja.
Mas Fernando Calado Rodrigues termina muito bem ao dizer: “Ao longo destes quatro séculos, tem-se percorrido um longo caminho no diálogo entre fé e ciência. Porém, continuam a experimentar-se as mesmas dificuldades em acolher os progressos científicos e civilizacionais, quando eles parecem pôr em causa a doutrina oficial da Igreja. Ainda há muito quem assuma um comportamento inquisitorial em vez de uma abertura à novidade que pode enriquecer a doutrina cristã”.
Tal e qual! Ainda recentemente me interrogava sobre as vertentes éticas da condenação, por João Paulo II, do uso do preservativo para prevenir esse flagelo que é a SIDA em muitos países. Serão necessários mais 380 anos para uma comissão reconhecer, ao fim de 10 anos de estudo do problema, que o Papa estava enganado?
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