quarta-feira, 19 de junho de 2013

PÉROLAS A PORCOS

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[...] Como pode o autor de "O Eduquês" e de tantas intervenções televisivas marcadas pelas prevenções contra as evasivas e os ardis ser o cúmplice de um projecto ideológico que visa mandar para o desemprego muitos milhares de pessoas, e desmantelar pelo esvaziamento a escola pública; como pode?
Diz-me pouco, mas talvez diga alguma coisa a circunstância de Crato ser proveniente da extrema-esquerda, aquela contra o "revisionismo" e os "sociais-fascistas." O combate, afinal, era outro, e a "convicção" constituía um investimento futuro.
O braço-de-ferro do ministro e dos professores nunca foi por aquele decentemente esclarecido. A verdade é que os professores, ameaçados, aos milhares, de ser "dispensados", apenas lutam pelos seus lugares e pelo trabalho a que têm direito. E a utilização dos estudantes como estratagema político é sórdida. [...]
Esta pérola, que Baptista Bastos (BB) atira aos porcos que somos nós, leitores de jornais, está no DN de hoje. Crato, a milhões de anos/luz de BB, terá ficado preocupado com a crónica porque o cronista o arrasa. Conta este que Crato faz o que faz, porque veio da "extrema-esquerda", «aquela contra o "revisionismo" e o "social-fascismo"». E mais ainda: as posições contra o "revisionismo" e o "social-fascismo" eram premeditadas—já nessa era longínqua, Crato sonhava arrasar Mário Nogueira, fiel funcionário do "revisionismo" e do "social-fascismo" e correligionário de BB!
A verdade é que os professores, ameaçados, aos milhares, de ser "dispensados", apenas lutam pelos seus lugares e pelo trabalho a que têm direito. E a utilização dos estudantes como estratagema político é sórdida, diz BB. É preciso ter lata para dizer isto. Quem marcou a greve para um dia de exame foi o PCP, através da sua correia de transmissão chamada Nogueira. Mas quem utiliza os estudantes como estratagema político sórdido é Crato!
Somos parvos ou quê? O PREC já morreu há muito tempo. Infelizmente, devia ter morrido mais cedo; idealmente, nunca devia ter nascido. Mas ainda há fósseis a defendê-lo.
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