domingo, 12 de janeiro de 2014

POUPEM EUSÉBIO

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[...] Ainda o corpo de Eusébio não descera à terra, já se exigia a transladação do mesmo para o Panteão Nacional. De Manuel de Arriaga a Aquilino Ribeiro, no Panteão encontram-se os túmulos da pior tralha da Primeira República, além de pelo menos uma abencerragem da Segunda, o que confere àquilo uma aura obviamente desprestigiante para pessoas que levaram dignamente a vida. O processo de Amália, um enxovalho que a grande senhora não merecia, foi humilhação suficiente. Eusébio, que viveu simples e decentemente, devia ser poupado à repetição do vexame e deixado em paz. Por unanimidade, os deputados discordam. Por uma questão de euros, a presidente da AR hesita. Por contágio, o povo adere ao peditório. [...]

Alberto Gonçalves in "Diário de Notícias"
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