O País atravessa horas de drama, entregue à garotada, para
usar uma expressão com carreira feita. O Governo é uma trampa, a oposição uma
merda. O português, refugiado nas alegrias que consegue com Cristiano Ronaldo e
com a selecção nacional, paga caro a uma classe política que, além de medíocre,
vive acima das possibilidades dele.
Vem isto a propósito do artigo de Alexandre Homem Cristo
no jornal "i", intitulado esclarecedoramente, "Um Vazio Indisfarçável".
Ali se diz que o PS lançou a Convenção “Novo Rumo para Portugal”, assinada por
Seguro e outros correligionários, com a pretensão de nos informar sobre quais
são as soluções para o Portugal que temos. E a matéria é profunda, quase tanto
como poças de água em dia de chuvisco.
Verbi gratia, e citando com vénia:
Sobre o emprego: “É fundamental que a política económica
ajude a criar um ambiente favorável ao investimento e à criação de emprego”.
Sobre a crise: “Queremos levar Portugal a sair da actual
crise através de um programa de desenvolvimento sustentável, criando uma
economia mais verde, de baixas emissões de carbono”.
Sobre o contrato social: “Portugal precisa de um Estado
forte e inteligente (…)”.
Sobre a Europa: “Defendemos que é pelo aprofundamento no
plano da igualdade entre cidadãos e entre Estados que se deve desenhar a
solução para a crise”.
E, por fim, sobre o Euro: “Para nós, a opção não está
entre ficar ou sair do euro. Para nós a opção está na urgência de mudar a zona
euro e de a completar com a governação política, económica e social”.
A peça, a avaliar pela amostra, não é melhor nem pior que
o Guião de Portas para a reforma do Estado—um montão de lugares comuns, vagos e
de compêndio elementar, a cheirar a escola secundária. Vácuo absoluto, onde não
há massa nem energia. Coisa pré-Big Bang que cabe numa esfera de diâmetro zero.
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